Protesto contra registro de rapadura por alemães

TRIBUNA DE IMPRENSA, Rio de janeiro, sábado e domingo, 14 e 15 de janeiro de 2006

A porta do Consulado da Alemanha no Rio foi palco de uma manifestação de representantes de entidades de defesa das tradições nordestinas, no fim da manhã de ontem. Com faixas e cartazes e ao som de zabumba e sanfona, cerca de 20 pessoas ocuparam parte da calçada em frente ao consulado, no bairro de Laranjeiras, para protestar contra o registro de patente da marca "rapadura" por uma empresa alemã.

Vestidos com roupas típicas da Região Nordeste, os manifestantes dançaram forró ao som da música "A rapadura é nossa", de Maria Nordestina, e cantaram o Hino Nacional no ritmo de baião.

Os funcionários do consulado foram receptivos à manifestação, organizada pela Cooperativa dos Comerciantes da Feira de Tradições Nordestinas do Campo de São Cristóvão (Coopcampo). Eles chegaram a ensaiar alguns passos de forró e experimentaram pedaços de rapadura distribuídos pelos manifestantes.

O presidente da Coopcampo, Agamenon de Almeida, disse que não entregou qualquer documento, mas que conversou com o encarregado de assuntos comerciais do consulado, Klaus Müeller, sobre a indignação dos nordestinos com a atitude da empresa alemã Rapunzel de patentear a marca "rapadura", um produto genuinamente nacional e ligado à cultura nordestina, na Alemanha e nos Estados Unidos. "Eu perguntei para ele se achava correto os brasileiros patentearem o chucrute. Ele respondeu que não".

A patente impede que produtores brasileiros exportem o doce de cana-de-açúcar com a marca "rapadura" para os dois países sem pagar os direitos de comercialização da marca à Rapunzel.

Agamenon disse que a manifestação teve apenas a intenção de chamar a atenção das autoridades do governo alemão para o problema. Ele informou que enviou cartas ao presidente Lula e aos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Cultura, Gilberto Gil, pedindo que o governo brasileiro adote providências junto às autoridades alemãs para o cancelamento do registro da patente da marca rapadura.

Não é a primeira vez que um produto tipicamente brasileiro é patenteado por empresas estrangeiras. No ano passado, uma companhia japonesa patenteou a marca "cupuaçu", uma fruta de origem amazônica. Após protestos e apelo de autoridades brasileiras, o governo japonês cancelou o registro.

Há várias versões históricas para o surgimento da rapadura. A mais conhecida é a de que produtores de açúcar encontraram no formato de barra uma alternativa para armazenar e enviar o produto de navio para a Europa. (Agência Brasil)


Sextilhas:

José Pedrosa (RN)

A RAPADURA É NOSSA!

Foi notícia de jornal
e também da televisão
que a nossa rapadura,
produto de exportação,
teve o registro firmado
por grande grupo alemão.

Ela tem a cor escura,
a cor do nosso mulato;
tem um cheirinho gostoso
que faz bem ao nosso olfato;
até a sua textura
pode agradar pelo tato.

O sabor inconfundível
enaltece o valor dela;
seu formato inigualável
demonstra o quanto é bela;
podendo ser consumida
até por gente banguela.

A rapadura é nossa
e não tem balacobaco,
não adianta estrangeiro
querer encher nosso saco,
pois nosso povo é capaz
de armar um grande barraco.
 


 

 

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