França aprova projeto de lei para prorrogar estado de emergência

Paris, 14 nov (EFE).- O Governo francês aprovou hoje um projeto de lei para prorrogar por três meses o estado de emergência, em vigor no país desde quarta-feira para frear a onda de violência urbana que começou em 27 de outubro.

O projeto de lei será analisado amanhã a partir das 16h30 (13h30 de Brasília) na Assembléia Nacional, anunciou a Câmara dos Deputados francesa.

Na 18º noite consecutiva de distúrbios, os manifestantes queimaram 284 veículos e 115 pessoas foram detidas, segundo o balanço definitivo da Direção Geral da Polícia Nacional.

Estes dados refletem uma redução significativa dos atos de vandalismo desde a entrada em vigor do estado de emergência, tendência quebrada somente na noite de sexta-feira para sábado, em que foi registrada uma alta do número de incidentes

SEXTILHAS enviadas pelos leitores:

Braulio Tavares (RJ)

Valha-me Nossa Senhora!
'Tão bombardeando a França!
Milhares de cidadãos
Sem emprego e esperança
Tocando fogo e bradando
Por justiça e por vingança.

Vai um ministro à Tv
E chama o povo de "escória":
Já se vê que o camarada
Tem muito fraca memória,
E anda na contramão
Da via-férrea da História.

A França promulga leis,
Propõe direitos humanos
Mas não sabe assimilar
Os seus netos africanos,
Orientais, marroquinos
Árabes e mulçumanos.

Varrer o povo mais pobre
Pro esgoto do sistema
Não diz bem de um país
Nem resolve o seu problema;
A França trai seu passado,
Sua bandeira e seu lema.

Franceses, peçam socorro
Para Jean-Luc Goddard,
Mostesquieu, Diderot,
Simone de Beauvoir:
Pra que possam nessa crise
Seu rumo reencontrar.


Heriberto Coelho (PB)

É um protesto sem rumo
O fuzuê lá da França
Imagine os excluídos
Em uma grande aliança
A História ressuscita
E a burguesia é quem dança.


Carlos Peixoto (RN)

Os jovens saem às ruas
Na pátria da liberdade,
Ateiam fogo à procura
Da tão amada igualdade.
E O governo baixa uma lei,
Suspende a fraternidade.


Atila Pessoa Costa (DF)

A França pede clemência
E aprova uma lei por projeto
Pede estado de emergência
Acreditando no fim completo
Da balburdia e insurgência
De seu problema não-objeto.


Messina Palmeira (PB)

Lá nas terras da Europa
Um tal de povo francês
Vive em “estado de sítio”
Que nada tem de burguês
Lá se bebe muito vinho
Será tudo embriaguês?


José de Castro (RN)

Lá na França, em Paris,
Numa grande convulsão,
Um dilema se instala:
Uma lei de exceção
Acaba com a violência
Ou só traz mais confusão?

Lei do estado de emergência
(Mais três meses de exceção)
Que foi na França aprovada,
Medida de proteção
Pra evitar a quebradeira
E acabar com a confusão.

Lei do estado de emergência
Foi na França aprovada
Pra acabar com a baderna,
Que já estava instalada.
Há quem pense que adianta.
Outros, que não dá em nada.


Ricardo Kelmer (RJ)

O povo pobre de lá
Um dia também se cansa
Quando tem desigualdade
O país inteiro dança
Agora é que começou
O ano do Brasil na França.


Antonio Kydelmir (PB)

Agora, está um perigo,
Andar na noite criança.
Os jovens da velha Gália
Estão fazendo lambança,
Depredando e queimando
Em quase toda a França.


Floro Dória (SP)

Libertè, foi massacrada
Hoje é guerra sem quartel
Fraternitè, se é que existiu
não foi pra filho de Ismael.
Egalitè? sim, pros nascidos
Entre a Bastilha e a torre Eiffell.


Clotilde Tavares (PB)

Pros imigrantes na França
A Liberdade é prisão
A Fraternidade morre
Frente à discriminação
E a bandeira da Igualdade
Hoje se arrasta no chão!


Evandro da Nóbrega (PB)

Agora que os franceses
Já perderam a paciência,
Promovendo um cu-de-boi
Com muito incêndio em seqüência,
Vem o Gunverno e amplia
O Estado de Emergência.

Mas nesse caso a tendência
Do povo é ser mais afoito;
Vocês tão mui bem lembrados
Do qu'houve em sessenta e oito:
Mais jovens iam pras ruas
Quanto mais levavam açoito.


Graco Medeiros (PE)

Haja bomba lá na França
Já dizia Zé Limeira
Maio de sessenta e oito
Foi apenas brincadeira
Agora é desempregado
Gente sem eira nem beira.


Cândido Tertuliano (PB)

Paris

Várias noites encangadas
Eu acho que é dezoito
Parece dias de maio
Ano de sessenta e oito
É a maior cachorrada
Deste povo muito afoito

Haja bomba, haja fogo
Haja gente revoltada
Vejam a cidade luz
De noite incendiada
É a revolta do povo
Que a perder tem mais nada

O governo acossado
Tá muito preocupado
Pediu socorro ao congresso
Pra tudo ser aprovado
O seu projeto de lei
Passar sem ser contestado

Estado de emergência
Logo foi bem decretado
Não acabando a bagunça
De quebra foi prorrogado
Não tem mais quem agüente
Tanto carro incendiado


Ilson Freire (PE)

Valei-me Ascenso Ferreira
Tô na maior agonia!
Será mesmo que o fogo
Que queima na França fria
Não se espalha pela "Oropa"
E chega até a Bahia?


Waldemar Falcão (RJ)

Estão pagando o seu karma
Os impérios coloniais:
As ex-colônias conquistadas
Consideradas seus quintais
Rebelam-se e se mobilizam
Em manifestações sensacionais.

Vivendo nas metrópoles
Os jovens colonizados
Sem emprego e sem futuro
Se encontram desesperados
Derrubam, quebram, incendeiam
E os franceses, embasbacados.

O governo, em desespero
Inventa medida urgente
Tira do bolso do colete
Um decreto bem indecente
Desprezando a tradição
Da liberdade permanente

Pensam que, talvez com isso,
Vão controlar a baderna
E os jovens indiferentes
Enfrentam os da caserna
E mostram que a revolução
É uma batalha eterna.


José Hydalgo Carrasco

O que acontece em França
prá mim não é surpresa.
Já se deu há duzentos
anos, e, hoje com certeza,
estão cantando os versos
da canção Marselhesa.


Medeiros Braga

Jovens de terceira classe
Que um sistema assim quis
Externaram suas revoltas
Que se espalham no país
Ensaiando as barricadas
Das “Comunas de Paris”.

Ante a pressão e a oferta
De tal generosidade
Os ânimos vão se acalmar,
Voltando a tranqüilidade,
Pra reacender mais à frente
Pela falta de igualdade.

É o fechamento do cerco
Que há em qualquer nação
Que gera pobres e ricos
Pela distribuição
Entre operários e donos
Dos meios de produção.

Parece que ali já negam
Os cantos da LIBERDADE,
Que apagam dos horizontes
Todos sonhos de IGUALDADE,
E inviabilizam por vez
O vôo da FRATERNIDADE.


Este blog é dedicado a
LEANDRO GOMES DE BARROS
(1865-1918)
no 140. aniversário do seu nascimento.
19 de novembro de 2005

Poeta como Leandro
Inda o Brasil não criou
Por ser um dos escritores
Que mais livros registrou
Canções, não se sabe quantas
Foram seiscentas e tantas
As obras que publicou

No dia de sua morte
O céu mostrou-se azulado
No visual horizonte
Um círculo subdourado
Amostrava no poente
Que o poeta eminente
Já havia se transportado

João Martins de Athayde