MOTE

"Lá na China corrupto é fuzilado

E a família ainda paga a munição."


GLOSAS

 

 

BRAULIO TAVARES (RJ)

 

Vou-me embora morar na velha China

que tem lá seus defeitos, tudo bem,

mas o nosso defeito ela não tem:

dar guarida a quem vive da rapina.

Deputado que lá ganha propina

pagará com a vida a corrução!

Lá na China político ladrão

bem depressa vai preso e condenado...

Lá na China corruto é fuzilado

e a família inda paga a munição!


EDILSON AMORIM (PB)

 

Muita gente cultiva a ciência

De que deve ser logo decretado,

Um costume da China adotado

– O suplício final e sem clemência

Pra quem vive de roubo, sem decência,

Deixar livre de furto a nação,

Com governo, mas sem corrupção;

– Em boa hora o fato é lembrado:

Lá na China corrupto é fuzilado

E a família ainda paga a munição.

 

Mas será que a morte do corrupto

Elimina o susto de um povo?

Ou a punição fatal carrega o ovo

Da serpente tenaz e, ininterrupto,

O ciclo recomeça seu insulto?

Atirando da cara da nação

Vez que pode se esconder mais de milhão

Por detrás de um corrupto eliminado.

Lá na China corrupto é fuzilado

E a família ainda paga a munição.

 

O convívio fraterno, o senso ativo,

O trabalho, a escola e o lazer,

O acesso sem culpas ao prazer

Dão a cura do mal sem lenitivo.

Enfraquece o ato corruptivo

O poder geral de decisão;

O exercício da participação

Torna o ato letal esconjurado.

Lá na China corrupto é fuzilado

E a família ainda paga a munição.


José Rildo (PB)

Eu conheço o país do Oriente
Com seu povo de olhinho repuxado
O antigo e o moderno lado a lado
Dando lastro ao progresso do presente
O seu jeito do nosso é diferente
E eu penso que têm toda razão
No Brasil quanto mais corrupção
Mais o cara é benquisto e respeitado
Lá na China corrupto é fuzilado
E a família ainda paga a munição.


Marco di Aurélio (PB)
 

Se é verdade o que ouço sobre a China

suas regras, castigos e mordaças

o remédio para todas as desgraças

parece não conter o que destina

melhor seria aplicar o que ensina

lá no livro divino do alcorão

cortando alguma coisa do ladrão

em partes de algum membro pendurado

lá na China corrupto é fuzilado

e a família ainda paga a munição.


SILVA FILHO (PI)
 

O rigor praticado lá na China

Não permite essa tal impunidade

Muito menos imoral imunidade

Que bandido oferece na vitrina;

Um discurso que já vem com vaselina

É a arma preferida do ladrão

No Brasil que se diz grande nação

De grandeza só esse povão roubado

Lá na China o corrupto é fuzilado

E a família ainda paga a munição.


HENRIQUE CESAR PINHEIRO (CE)

Lá no Oriente se tem uma tradição
A mulher tem que sempre usar véu
Se quiser ela mesmo entrar no céu
Se usa lá de ladrão cortar a mão
Se fuzila na China por corrupção
Esse povo de olho repuxado
Se for por um corrupto enganado
Ele nunca terá contemplação
Lá na China corrupto é fuzilado
E a família ainda paga a munição.
 
Se existisse isso aqui pelo Brasil
Para corrupto houvesse fuzilamento
Não caberia gente no firmamento
Porque deste país que é um covil
Seria mortos presidente e edil
Porque nesta nossa grande Nação
O governo com a oposição
Rouba muito e não é condenado
Lá na China corrupto é fuzilado
E a família ainda paga a munição.
 
Se tivesse homem de coragem
E implantasse o sistema lá da China
Logo, logo acabaria com a propina
Desmontasse com toda engrenagem
Se acabava com a sacanagem
O país ficaria muito afamado
Não comprava mais nada fiado
O Brasil seria do mundo a sensação
Lá na China corrupto é fuzilado
E a família ainda paga a munição.
 
Mas não é isso nosso privilégio
Corrupção grassa em toda a Nação
Da Bolívia até o Afeganistão
Não precisa se ensinar em colégio
Pra curar este grande sacrilégio
Necessário um antídoto ser usado
Um remédio devia ser inventado
A vacina seria uma solução
Lá na China corrupto é fuzilado
E a família ainda paga a munição.

 

 

 

 

 
 
 
 

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Este blog é dedicado a
LEANDRO GOMES DE BARROS
(1865-1918)
no 140. aniversário do seu nascimento.
19 de novembro de 2005

Poeta como Leandro
Inda o Brasil não criou
Por ser um dos escritores
Que mais livros registrou
Canções, não se sabe quantas
Foram seiscentas e tantas
As obras que publicou

No dia de sua morte
O céu mostrou-se azulado
No visual horizonte
Um círculo subdourado
Amostrava no poente
Que o poeta eminente
Já havia se transportado

João Martins de Athayde